CORREA DE ARAUXO, FACULTAD ORGANICA (1626)
CORREA DE ARAUXO, FACULTAD ORGANICA (1626)

Javier Artigas
órgão
Simeón Galduf
sacabuxa
22 OUT 21h30
Funchal, Igreja do Convento de Santa Clara
Programa:
Francisco Correa de Arauxo (1583-1654)
¬ Tiento de quinto tono, fa, (y fa en quinta) por fefaut, del genero diatonico
Diego Ortiz (1510-1570)
¬ Dos recercadas sobre tenores italianos
Antonio Valente (c.1520-1601)
¬ La Romanesca con cinque mutanze
¬ Bassa fiamingha
¬ Lo ballo dell’intorcia con sette mutanze
Diego Ortiz (1510-1570)
¬ Dos recercadas, sobre la folía y el pasamezzo moderno
Francisco Correa de Arauxo
¬ Tiento de cuarto tono, la y mi, por elami, del género diatónico
¬ Quarto tiento de baxon de septimo tono por delasolrre del genero diatonico
¬ Tiento de medio registro de tiple de décimo tono, o assimismo de primero tono alto
Giovanni Battista Fontana (1531-1527)
¬ Sonata seconda
Francisco Correa de Arauxo
¬ Tiento tercero, de sexto tono, ut, y fa, por fefaut sobre la primera parte de la Batalla de Morales
Este ano de 2026 marca o quarto centenário da publicação em Alcalá do famoso Libro de tientos y discursos de musica practica y theorica de organo intitulado Facultad Organica, composta pelo organista sevilhano Francisco Correa de Arauxo. Esta magnífica obra, única no seu género na Espanha do século XVII, reflecte a evolução do repertório espanhol para teclado, desde o contido estilo composicional do Renascimento, representado pela prima pratica, até à sumptuosa expressividade do Barroco, moldada pelo madrigal, pela seconda pratica monteverdiana e pelo tratamento singular da dissonância. Não parece ser coincidência que a mesma década em que Correa publicou o seu livro tenha sido prolífica no aparecimento de importantes colectâneas impressas que reflectiam as diferentes evoluções tanto dos instrumentos como do repertório para tecla que emergiam em várias regiões da Europa, evoluções essas que, por sua vez, foram influenciadas por diferentes convulsões políticas, económicas, sociais e religiosas. Em Portugal, as Flores de música (1620) de Manuel Rodrigues Coelho, em França os Hymnes de l'Église (1623) e Le Magnificat ou Cantique de la Vierge (1626) de Jehan Titelouze, nos países germânicos a Tabulatura nova (1624) de Samuel Scheidt, e em Itália Il primo libro de capricci (1624) e Il secondo libro di toccate, canzoni, versi d'himni (1627) de Girolamo Frescobaldi são exemplos deste rico fruto deste período. Da mesma forma, diversas colecções, como o importante manuscrito Lynar A1, Conservado na Biblioteca Estatal de Berlim, que contém um vasto conjunto da obra de Jan Pieterszoon Sweelinck, datam também deste período. Com este programa pretendemos oferecer uma visão geral do desenvolvimento da música instrumental durante o século XVII, utilizando algumas das obras do acervo da Facultad organica como elemento unificador. Concentramos o nosso âmbito geográfico em obras extraídas de edições impressas produzidas nos antigos Reinos de Espanha, que incluíam todos os territórios dos Habsburgos, com a única exceção da sonata de Fontana (1641), uma obra póstuma. A sacabuxa, nome antigo e tradicional para o trombone, é sem dúvida um dos instrumentos mais adequados para representar este universo de emoções. Com o seu som flexível, expressivo, doce e enérgico, e a sua enorme versatilidade, a sacabuxa será a estrela deste concerto, ao lado do órgão, que servirá tanto de base para as melodias da sacabuxa como de voz lírica nos seus trechos a solo. Esta selecção apresenta uma variedade de formas musicais. Desde as primeiras obras de Diego Ortiz ou Antonio Valente, obras-primas de ornamentação improvisada sobre os diferentes tipos de baixos ostinatos (Folias, Pasamezzi, Romanesca, etc.), bem como sob a forma do madrigal glosado (O felice occhi miei), até às mais modernas, nas quais vislumbramos o mundo da expressividade do afeto barroco representado nas obras de Correa de Arauxo e na não menos espetacular Sonata seconda de Giovanni Battista Fontana, uma autêntica obra-prima deste mundo dos afetos, uma representação musical dos sentimentos mais intensos do ser humano e que pode ser perfeitamente comparada à expressividade emanada de pinturas como as de Caravaggio, Artemisia Gentileschi ou José de Ribera. Todo este desfile de obras será encerrado com uma das peças mais conhecidas de Correa, o Tercero tiento de sexto tono, mais conhecido por La batalla de Morales, composto a partir de motivos extraídos da célebre canção polifónica de Claude Janequin, La Guerre ou La Bataille de Marignan.
Javier Artigas