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Festival Internacional de Órgão da Madeira 2026

A realização da 15.ª edição do Festival Internacional de Órgão da Madeira constitui mais um momento de celebração da riqueza cultural do nosso arquipélago, afirmando a Madeira como território de encontro, de criação artística e de diálogo entre povos e culturas.

Sob o tema “A Madeira e o Mundo”, o Festival convida-nos a refletir sobre a vocação universal da nossa Região. Desde os primeiros tempos da expansão atlântica, a Madeira habituou-se a ser ponto de chegada e de partida, cruzamento de caminhos e espaço privilegiado de circulação de pessoas, ideias e expressões culturais. Esta ligação ao mundo continua hoje bem viva através da nossa diáspora e do contributo de inúmeros madeirenses que, espalhados pelos vários continentes, têm desempenhado um papel relevante na preservação, valorização e divulgação do património cultural, material e imaterial, reforçando os laços que unem as comunidades de origem às sociedades que os acolhem.

Também a música, e de modo particular a música para órgão, representa uma linguagem universal, capaz de ultrapassar fronteiras geográficas, linguísticas e culturais. Os órgãos históricos da Madeira, testemunhos de excecional valor patrimonial, tornam-se, durante este Festival, verdadeiras pontes entre épocas, tradições e sensibilidades artísticas, acolhendo intérpretes de diferentes proveniências e promovendo o encontro entre a herança cultural madeirense e as correntes criativas do mundo contemporâneo.

Num tempo marcado por profundas transformações globais, importa reconhecer o papel essencial da cultura na construção de sociedades mais abertas, inclusivas e conscientes da sua identidade. Como nos recorda D. José Tolentino de Mendonça, a cultura constitui um “remédio que cura e restaura a dignidade”, abrindo caminhos de encontro, participação e inclusão. É precisamente essa capacidade de aproximar pessoas, valorizar a diversidade e fortalecer o sentido de pertença que o Festival Internacional de Órgão da Madeira tão bem simboliza.

Através da excelência artística dos seus concertos, da valorização do património organístico da Região e da ligação permanente entre a Madeira e o mundo, esta iniciativa reafirma o compromisso da Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura com a promoção da cultura enquanto instrumento de desenvolvimento humano, de coesão social e de afirmação da identidade madeirense além-fronteiras.

A todos os músicos, parceiros, comunidades paroquiais, público e equipa organizadora, dirijo uma palavra de reconhecimento e agradecimento pelo contributo para o sucesso deste Festival, desejando que esta edição continue a inspirar o diálogo entre culturas e a projetar a Madeira além-fronteiras, honrando o seu passado e contribuindo para construir o seu futuro.

Eduardo Jesus
Secretário Regional de Turismo, Ambiente e Cultura

 


 

A Madeira e o Mundo

A 15ª edição do Festival Internacional de Órgão da Madeira celebra os cinquenta anos da Autonomia da Madeira e a relação da Região com os diversos países por onde se estendeu a diáspora madeirense. A cultura organística de países como o Brasil, os Estados Unidos da América ou a Austrália será evocada, quer através da sua música, quer através da presença de intérpretes provenientes dessas nações. Paralelamente, celebrar-se-á o quarto centenário da publicação de uma das mais importantes obras da história da música para órgão: a Facultad orgánica de Francisco Correa de Arauxo, impressa em Alcalá de Henares em 1626. E, porque a música para órgão – tal como o próprio instrumento – pertence tanto ao passado como ao presente, o cinquentenário da Autonomia será assinalado pela estreia da obra Insulana, para voz órgão e cordas, baseada em excertos do poema épico homónimo de Manuel Tomás., encomendada pela DRC a quatro compositores (dois dos quais madeirenses): João Santos, João Caldeira, Sérgio Silva e Daniel Davis.

Mas, apesar da referência à história, remota e presente, da Madeira, e da presença de organistas provenientes de várias regiões do globo, o elemento central do Festival é – como o foi desde a sua primeira edição – o património organeiro da Região. Foi após a autonomia – ou talvez por causa dela – que se desencadeou o processo de restauro, documentação e divulgação dos órgãos históricos da Madeira. Foi o Governo Regional da Madeira, através das delegações competentes, que promoveu a construção de novos instrumentos e que deu origem ao Festival Internacional de Órgão da Madeira. Foram décadas deste processo consistente e continuado de valorização da cultura organística – um processo sem paralelo em Portugal – que permitiram que o Festival se apresente hoje desta forma.

Neste ano, a recitais a solo por organistas de relevo internacional, como Nathan Laube (Estados Unidos da América), Alexander Paine (Austrália) ou Elisa Freixo (Brasil) juntam-se concertos onde o órgão surge integrado em diferentes formações vocais ou instrumentais, entre os quais o ensemble Favola d'Argo e a Orquestra Clássica da Madeira, parceiro do Festival desde a primeira hora.

Com a presença de uma pléiade de artistas nacionais e internacionais, com uma variedade de programação e com a encomenda de obras contemporâneas para órgão, o Festival Internacional de Órgão da Madeira afirma-se, mais uma vez, como um dos baluartes do património organístico, material e imaterial, em Portugal.

João Vaz
Direcção Artística