INSULANA
Poema épico para soprano, órgão e cordas
INSULANA
Poema épico para soprano, órgão e cordas

Patrycja Gabrel
soprano
Laura Silva Mendes
órgão
Orquestra Clássica da Madeira
Norberto Gomes
direção
PRIMEIROS VIOLINOS
Norberto Gomes
concertino
Olena Soldatkina
ass. concertino
Valeriy Perzhan, Marcelo Caldeira
SEGUNDOS VIOLINOS
Yuriy Kyrychenko
chefe de naipe
Natacha Guimarães, Andrei Vizir, Anahit Dalakyan
VIOLAS
Volodymyr Petryakov
chefe de naipe
Rostyslav Kuts, Francisco Caldeira
VIOLONCELOS
Marina Gyumishyan
chefe de naipe
Iryna Bandura
CONTRABAIXO
Gábor Bolba
chefe de naipe
24 OUT 21h30
Funchal, Sé
Programa:
João Santos (1979)
¬ I – Revelação
(Primeiro descobrimento: amores trágicos de Robert Machim e Ana de Harfet)
João Caldeira (1986)
¬ II – Sonho
(Descobrimento oficial: a Ilha fala ao Capitão Zarco em sonhos)
Sérgio Silva (1981)
¬ III – In dedicatione
(Projetos dos povoadores: o açúcar, a Sé e a diocese)
Daniel Davis (1990)
¬ IV – Campos Elíseos
(Abundância da Madeira)
Assinalando a celebração dos cinquenta anos da Autonomia da Madeira, a Direcção Regional de Cultura encomendou a quatro compositores uma obra (consistindo, na realidade, em quatro peças a executar sucessivamente) baseada no poema Insulana de Manuel Tomás. A obra (intitulada também Insulana) é estreada hoje, no âmbito da 15ª edição do Festival Internacional de Órgão da Madeira. Quatro pequenos textos, seleccionados por Marta Marecos Duarte, foram entregues a quatro compositores portugueses (dois deles naturais da Madeira): João Santos, João Caldeira, Sérgio Silva e Daniel Davis. Os quatro textos aludem a quatro momentos chave no poema épico de Manuel Tomás. Aos compositores, exceptuando a obrigação de se submeterem ao texto e de se cingirem aos efectivos indicados (soprano, órgão e cordas), foi dada inteira liberdade. Insulana assume, assim, uma variedade que reflecte a natureza dos quatro textos e também as opções e a personalidade dos quatro autores. Na primeira secção, Revelação, de João Santos, «a história trágica de Robert Machim e Ana de Harfet evolui entre a descoberta da ilha, o deslumbramento e a perda. A música começa num ambiente deliberadamente épico, hímnico e marchante, com o órgão em figurações com carácter de toccata e um tema que regressa ao longo da peça sob diferentes perspetivas. Alternam-se momentos mais recitativos com outros de carácter mais descritivo. Entre o deleite e a tragédia, a natureza é ao mesmo tempo lugar de acolhimento e plenitude, mas também cenário de uma felicidade efémera, tornando a ilha simultaneamente paradisíaca e fúnebre. No final, tudo se converte em memória e saudade». A segunda secção, Sonho, de João Caldeira, relata o descobrimento e «apresenta a personificação da Ilha através de um sonho, e sonhando deixamo-nos embalar pelas palavras formosas desta Ilha que se revela e entrega-se ao Capitão Zarco. Cada nuance e cada palavra pairam e ecoam pelo espaço de uma inconsciência reveladora». Sérgio Silva, autor da terceira secção, In dedicatione, opta pela citação de melodias litúrgicas: «Num capítulo dedicado essencialmente à temática da Igreja, afigura-se pertinente recorrer ao canto gregoriano – sendo o canto próprio da liturgia romana – e, mais especificamente, ao repertório da liturgia para a Dedicação de uma Igreja, como material de base [...]. Neste contexto, a antífona do Introitus da Missa, «Terribilis est locus iste», constitui o material de referência para a primeira estrofe; o Graduale, «Locus iste», serve de base à segunda; a antífona da Communio, «Domus mea», à terceira; e, por fim, o hino de Vésperas da mesma liturgia, «Cælestis urbs Jerusalem», à última estrofe da secção. Finalmente, de Daniel Davis, «Campos Elísios, que nasce da quarta parte do poema Insulana, intitulada “Abundância da Madeira”, propõe uma viagem pelas paisagens da Ilha da Madeira. Campos, mares e montanhas tornam-se pontos de partida para uma reflexão sobre a forma como a Ilha é vista. Pelo olhar de quem nela vive, de quem um dia a habituou e dela teve de partir, ou de quem, nunca tendo vivido nela, a contempla à distância. Musicalmente, a obra desenvolve-se a partir de um motivo que se repete, fragmenta, transforma e evolui até ao seu esgotamento. Este motivo estabelece uma ligação entre música e texto, funcionando como fio condutor de todo o percurso. A obra culmina num final afirmativo, em maior, cuja dimensão encontra também a sua origem no próprio texto». Estas citações dos quatro compositores mostram claramente as diferentes posturas face ao desafio que lhes foi colocado. No entanto, o resultado final, mais do que um conjunto de composições isoladas, apresenta-se como uma tetralogia: quatro capítulos, quatro visões diferentes de uma só ideia: a celebração da descoberta da Madeira, no cinquentenário da sua autonomia.
João Vaz